Estudo japonês põe fim à ligação entre vacina tríplice e autismo

Data 03 | 03 | 2005 | Assunto: Ciências Biológicas e Saúde

Um estudo japonês deverá acabar de vez com o temor de doze anos de que a vacina múltipla contra a catapora, caxumba e rubéola (MMR) seja responsável pelo aumento da incidência do autismo.
Essa hipótese, levantada em 1993, levou dezenas de milhares de pais britânicos a deixar de vacinar seus filhos. Porém, vários estudos nunca conseguiram descobrir a ligação MMR e o autismo, e um ano atrás, dez dos 13 médicos britânicos que assinaram o estudo original retrataram-se.

A ampla pesquisa japonesa, realizada com 31.426 crianças da cidade de Yokohama, província de Kanagawa, deve pôr um fim nessa polêmica. O Japão usou a vacina MMR por vários anos, mas decidiu retirá-la do mercado, em abril de 1993, após a divulgação de relatórios apontando que seus componentes anti-caxumba poderiam causar meningite.

O estudo, comandado pelo cientista Hideo Honda, do Centro de Reabilitação Yokohama, acompanhou crianças nascidas entre 1988 e 1996, ou seja, cobrindo um período que vai além da retirada da vacina. Conforme Honda, o número de crianças com autismo depois dos sete anos de idade continuou aumentando mesmo depois que a MMR deixou de ser usada. No período anterior a 1993, a incidência de autismo variava entre 48 a 86 casos por 10 mil crianças, mas depois daquele ano, subiu de 97 a 161 casos por 10 mil.

De acordo com o estudo, não se pode descartar a possibilidade de a vacina MMR desenvolver autismo em um número muito pequeno de crianças, porém, os resultados confirmam que não existe um efeito em grande escala.

Os cientistas estão divididos sobre o por que de a incidência do autismo estar crescendo nos países desenvolvidos. Parte deles afirma que a causa é ambiental, enquanto outros são da opinião de que os casos de autismo hoje são mais fáceis de detectar e reportar.

O temor em relação aos efeitos da vacina tríplice concentrou-se principalmente no Reino Unido. Em algumas regiões, apenas 60% das crianças passaram a tomar a MMR, o que acabou provocando epidemias de catapora.



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