Museu Histórico de Londrina abriga exposição "Atlas da Colônia Internacional"
Enviado por mkanno em 19 | 05 | 2008 (5627 leituras)

Uma exposição de raros mapas ilustrativos e mapas antigos dos shokuminchi, colônias de imigrantes japoneses no Norte do Paraná, acontece no Museu Histórico de Londrina até 31 de julho de 2008.



Dai Ikku, Alegre, Elefante, Kouun, Fuji, Asahi, Yamato são alguns dos shokuminchi, que podem ser visualizados através de painéis com a sobreposição de fotos de satélite e mapas antigos.

A criação de shokuminchi, incentivados pela Companhia de Terras foram importantes no processo de colonização do Norte do Paraná. A exposição é uma homenagem aos pioneiros que souberam dar significado ao chão de terra vermelha.

Empreendimento

Colônia Internacional ou Kokusai Shokuminchi era o nome pelo qual ficou conhecido, entre os imigrantes japoneses, o empreendimento da Companhia de Terras Norte do Paraná - CTNP.

A denominação havia sido sugerida por Hikoma Udihara, gerente geral de vendas da seção japonesa da Companhia, no início da colonização nos anos 30.

Assim como a indicação de uma imaginária estação ferroviária chamada Yamato (grande harmonia ou povo japonês) no mapa publicado por Udihara, a definição de uma área a leste do núcleo urbano Londrina chamada Nipônica e a utilização da palavra shokuminchi faziam parte de estratégias para a atração de imigrantes.

Composição de lotes

De fato, os imigrantes japoneses foram os primeiros compradores de lotes rurais no empreendimento.

Incentivados pela própria Companhia e seguindo uma tradição, os imigrantes organizavam-se em colônias ou shokuminchi, visando a ajuda mútua, a educação dos filhos, a manutenção de estradas e à comemoração de datas festivas.

Uma colônia era formada basicamente por algumas dezenas de lotes rurais contíguos, delimitados por ribeirões e interligados por uma estrada, tendo a escola e o kaikan - sede de associação com uma praça rural anexa no seu centro geográfico.

Herdavam assim as características dos inúmeros shokuminchi que surgiram no Estado de São Paulo, como por exemplo, a Colônia Hirano (SP, 1915), composta de imigrantes que haviam encerrado seus contratos nas fazendas de café.

A colônia pioneira no Norte do Paraná, a Dai-Ikku Shokuminchi ou Seção Numero Hum foi iniciada em Outubro de 1931, na área entre os ribeirões Limoeiro e Cambe nos arredores de Londrina.

A exposição reúne alguns dos raros mapas ilustrativos da época, além de painéis com a sobreposição de mapas antigos das colônias com fotos aéreas recentes. Permitem ao visitante visualizar a localização inicial das colônias e confrontar com o que existe hoje no local.

Por exemplo, pode-se "descobrir" que nos limites da colônia pioneira londrinense está o Aeroporto, o Parque Arthur Thomas, a Avenida Dez de Dezembro, a ACEL e a Praça Nishinomiya, além de inúmeros bairros residenciais. Afirma-se que a Dai-Ikku Shokuminchi ainda guarda alguns silêncios.

Nomes significativos das colônias

Cafezal, Abóbora, Elefante, Alegre, Boa Sorte, Shin-Ai (Fé e Amor), Hinode (Sol Nascente), Fuji, Yamato. Era grande a variedade de nomes dados às colônias. Resultavam da adoção de nomes de ribeirões e lugares, e mais ainda, de palavras que refletissem as esperanças e lembranças dos moradores.

Entre as décadas de 1930 e 1940, mais de meia centena de colônias foram fundadas entre Londrina e Maringá. Definiram uma densa paisagem cultural marcada pelos modos de uso da terra, bem como pela presença de edificações de traços nipônicos com forte caráter.

As colônias estão fortemente gravadas na memória dos pioneiros e nas rememorações daqueles que ali passaram parte de suas infâncias, tendo como local de diversão os inúmeros ribeirões e córregos que cortam a região.

Marcas do processo de ocupação e da forte presença dos imigrantes japoneses no Norte do Paraná, as paisagens moldadas pelos saberes pioneiros constituem pouco valorizado porém importante patrimônio cultural. Aguardam olhares sensíveis à sua redescoberta e preservação, neste momento em que se comemora o centenário da imigração japonesa ao Brasil.

Takkon significa "espírito desbravador". A Exposição Atlas da Colônia Internacional é, sobretudo, uma homenagem aos pioneiros que souberam dar significado ao chão de terra vermelha.

A exposição tem patrocínio da INTEGRADA – Cooperativa Agroindustrial e da SERCOMTEL e apoio do Museu Histórico de Londrina, Curso de Arquitetura e Urbanismo /UEL, Especialização em Patrimônio Cultural / UEL, Mestrado em Geografia – Dinâmica Espaço Ambiental e SBPN Londrina.

Por Humberto Yamaki
Arquiteto, Professor Dr. / UEL (Universidade Estadual de Londrina)
Organizador / Curador da Exposição: Atlas da “Colônia Internacional”

Mais informações: (43) 3323-0082, no Museu Histórico de Londrina (PR)
Site: http://www2.uel.br/museu/



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